terça-feira, 15 de março de 2011

Variação do Português no Brasil e em Moçambique

1. Introdução
A língua portuguesa, como qualquer outra, manifesta variações que são notadas se se compararem falantes de países diversos onde o português é língua nacional e/ou oficial (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e entre outro) ou falantes de diferentes regiões do mesmo país. A par desta variação geográfica, é incontestável que o Português, como todas as línguas, apresenta também uma variação temporal, ou seja, uma evolução que pode ser conhecida através de diversas fontes e testemunhos (Mateus, 2003).
O presente trabalho debruça sobre a variação da língua portuguesa no Brasil e em Moçambique.

1.1.  Objectivos
1.1.1.      Objectivo geral
Ø  Falar da variação da língua portuguesa no Brasil e em Moçambique.
1.1.2.      Objectivos específicos
Ø  Identificar e descrever as variedades do português;
Ø  Identificar as principais marcas distintivas das variedades da língua portuguesa no Brasil e em Moçambique.
1.1.3.      Metodologia
O presente trabalho tem como metodologia a consulta bibliográfica. Isto é, fez-se o levantamento das possíveis bibliografia existente que abordam o presente tema em análise e posteorimente fez-se a digitação do trabalho.







2.        Variação da língua portuguesa no Brasil e em Moçambique
Uma língua viva, apesar da unidade que a torna comum a uma nação, apresenta variedades quanto à pronúncia, à gramática e ao vocabulário.
Chama-se variação linguística a essa propriedade de diferenciação de uma língua em função do espaço geográfico, da sociedade, da situação e do tempo, dando origem a variantes e a variedades linguísticas (Gomes, 2003).
2.1.  Variedades do Português
As variedades do português surgem por variação e mudança linguística como resultado do contacto histórico da população de língua materna portuguesa com falantes de outras línguas ao longo do processo da expansão e colonização.
2.1.1. Variedade europeia
É a língua portuguesa falada em Portugal continental e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Com o convencionar de que a variedade de Lisboa se constitui como língua padrão, o português foi dividido em dois grandes grupos dialectais: o setentrional, ao norte, e o centro-meridional, ao sul e arquipélagos (Gomes, 2003).
2.1.2. Variedade brasileira
É a língua portuguesa falada no Brasil, com algumas diferenças em relação à variedade europeia, como a audibilidade das vogais.
O português do Brasil tem algumas variações, mas, como diz Paul Teyssier, "as divisões dialectais do Brasil são menos geográficas que socioculturais".
Geograficamente, é possível observar uma oposição norte/sul, entre os estados do litoral acima do estado da Baía (inclusive) e os que estão abaixo, com base na realização aberta das pretónicas ao norte e sua realização fechada ao sul; uma oposição entre a cadência, verificada no Norte, e a pronúncia "cantada", no Sul.
2.1.3. Variedades africanas
São a língua portuguesa com desvios resultantes do contacto com as línguas locais dos países de expressão lusófona em África. Em geral, as variedades africanas de língua portuguesa que têm sido alvo de descrição são as do português de Angola (só o de Luanda) e de Moçambique, embora outras mereçam um estudo específico, como as de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, onde o português é a língua oficial, mas tanto o crioulo como os dialectos regionais são bastante importantes.
Angola e Moçambique têm o português como língua oficial e, para muitos falantes, também materna, mas em convivência com esta há diversos grupos linguísticos, por vezes subdivididos em dialectos, que lhe emprestaram modos, sotaques, vocábulos e formas de construção.
2.1.4. Variedades do português no Oriente
São as formas da língua portuguesa largamente utilizadas nos portos do Oriente e que, actualmente, é oficial em Timor Lorosae (Timor-Leste) e em Macau, estando neste último território em posição minoritária perante o mandarim. Em Timor Lorosae, o português é influenciado, particularmente, pelo tétum, a principal língua local.
2.2.  As principais marcas distintivas das variedades do português no Brasil e em Moçambique
A nível fonético
A diferença mais audível entre as duas variantes é a qualidade das vogais, que são geralmente mais elevadas e fechadas no português de Moçambique (PM) do que do português do Brasil (PB) quando não sâo tónicas. Exemplo: coluna lê-se c[ó]lun[á] (PB) e c[u]lun[a] (PM).
Há ainda pronúncias tipicamente brasileiras que introduzem o som [i] entre duas consoantes. Exemplo: captura e pneu lêem-se cap[i]tura e p[i]neu (PB) / ca[pt]ura e [pn]eu (PM).
A nível morfológico
No português de Moçambique o uso de contracções é mais frequente do que no português do Brasil. Exemplo: O artigo foi publicado em um jornal (PB) / O artigo foi publicado num jornal (PM).
A nível sintáctico
- O uso do gerúndo é preferencial no português do Brasil. Exemplo: Ele está secrevendo um romance (PB) / Ele esta a escrever um romance (PM).
- A utilização de artigo antes de pronome possessivo é preferencial no português de Moçambique. Exemplo: Vendi meu carro (PB) / Vendi o meu carro (PM).
- Os clíticos no português do Brasil ocorrem preferencialmente antes do verbo e não depois, como é mais comum no português de Moçambique. Exemplo: Ele se sentiu mal após o almoço (PB) / Ele sentiu-se mal após o almoço (PM).

A nível semântico
As diferenças a este nível são inúmeras, seja pela influência das línguas indígenas, que estão na origem de muitos brasileiros (ex.: guri, mingau), seja pelo diferente uso das palavras (ex.: banheiro, no significa casa-de-banho e em Moçambique salva-vidas).
A nível ortográfico
- Supressão de consoantes mudas (as que não são pronunciadas) no português do Brasil. Exemplo: fator, ótimo (PB) / factor, óptimo (PM). Algumas destas diferenças são anuladas pelo acordo  Ortográfico de 1990.
- Uso do trema no português do Brasil, sinal abolido em Portugal desde 1946, antes de e ou i, quando o u é pronunciado. Exemplo: agüentar, antiqüíssimo (PB) / aguentar, antiquíssimo (PM).
- Em palavras esdrúxulas e algumas graves (terminadas em –n, -r, -s ou –x), antes de –m- ou –n-, as vogais –e- e –o- são acentuadas de forma diferente nas duas variedades, o que reflecte pronúncia diversas. Exemplo: quilômentro, gêmeo, tênis (PB) / quilómentro, gémeo, ténis (PM).
- Diferente acentuação também nas terminações –eica- e –oo-. Exemplo: assembléia, vôo (PB) / assembleia, voo (PM).

3.        Conclusão
 A língua não é usada de modo homogéneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante.
Enfim, concluimos que o português falado no Brasil e em Moçambique existe alguma diferença sobre tudo nos seguentes níveis: ortográfico, semântico e lexical, sintáctico, morfológico e fonético.






4.        Bibliografia
GOMES, Christina Abreu. (2003). Variação e mudança na expressão do dativo no português brasileiro. Rio de Janeiro.
GONÇALVES, Perpétua. (2003). A Nativização da Língua Portuguesa em Sociedades Africanas Pós-Coloniais: o Caso de Moçambique. Cascais.
GONÇALVES, Perpétua. (1990). A construção de uma gramática do português de Moçambique: aspectos da estrutura argumental dos verbos. Lisboa.
HAMILTON, Russell. (2000). A literatura dos países africanos de língua oficial portuguesa. Edições Cosmos e Cátedra Jorge de Sena. Rio de Janeiro.
MATEUS, Maria Helena Mira. (2003). Português europeu e português brasileiro: duas variedades nacionais da língua portuguesa. Gramática da Língua Portuguesa, 5.ª ed., Lisboa.
VILLAR, Mauro, (1989). Dicionário Contrastivo Luso-Brasileiro, Editora Guanabara. Rio de Janeiro.

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